Criticar é fácil demais…
Criticar é fácil demais, repito. Isto afirmado por quem assumidamente até usa bastante desta prerrogativa, pode parecer um contra-senso, mas toca a explicar: se calhar por ter bastante experiência na arte da crítica, é que posso criticar os que (ab)usam da crítica.
Criticar torna-se tão mais fácil, quanto muitas vezes a critica dá-se desfasada no tempo em relação ao acontecimento objecto da crítica, nomeadamente após o acontecido. Logo, não é difícil dizer “ah! eu faria isto e aquilo e aqueloutro, nunca o que foi feito” e justificar das mais diversas maneiras.
Verifico que o mais interessante, nesse caso, é que a “prova” nunca tem que ser dada. Quem presta provas é o “criticado”. Após a falha, a crítica, não só é óbvia como por demais fácil; se feita de forma sensata, tem que ter em conta todos estes factores, mais ainda o facto que o crítico pode não ter todas as variáveis que presidiram ao acontecimento ou à toma da decisão criticável; este deve procurar saber e só na posse desses dados é que se pode considerar minimamente com conhecimento de causa para a desdita.
A minha favorita é a chamada crítica preventiva; aquela que ocorre antes do “facto consumado”, procurando fazer um bom juízo de todas as envolventes e tentando misturar com sucesso a variedade de ingredientes disponíveis, por forma a produzir o melhor “outcome” possível.
Outra crítica muito útil é a critica construtiva. Não basta dizer que está mal, há que dizer como é que se pode fazer melhor.
Dito isto, e por incrível que pareça, sou muito solicitado para a crítica possivelmente chamada destrutiva ou “não construtiva”, dado que na minha profissão e “derivados”, muitas vezes o difícil é encontrar o erro já que, depois dele exposto, corrigi-lo é tarefa trivial. Falo de nobres tarefas desde descobrir bugs em programas e/ou sistemas até à revisão de textos, etc.
Tinha já pensado fazer este ensaio sobre a crítica há algum tempo atrás, quando uma notícia no rádio me precipitou o registo para a posteridade.
Será que isto tudo tem alguma coisa a ver com o facto de, no Domingo, o Peseiro ter colocado o Sporting a jogar com uma equipa de segunda, contra uma equipa perto de ir para a segunda? (agora chama-se liga de honra – não adoram estes nomes?)
Ele fez as suas opções e aproveitou o ensejo para dar oportunidade a jogadores menos habituais. Se o jogo corresse bem ao Tello e não falhasse aquele “golo” de forma monumental, o Peseiro era o maior e 0-2 nunca ficava. Como aquele, na jogada que decide a partida, a chutar com o pé que até era o seu mais favorável, conseguiu o mais difícil – não enquadrar a bola com a baliza – já o Peseiro é o pior treinador do mundo!
Agora ouvi-o no rádio, a um dia do jogo a eliminar com o “Boro”, rumo à final da Taça EUFA em Alvalade, dizer que é o principal culpado pelo que aconteceu e remata dizendo que vai manter o Hugo.
Abro espaço então para a crítica preventiva: Manter o Hugo??? O homem só pode estar maluco!!!