ABC do AVC

O título deste post, dito por um tripeiro seria uma espécie de anáfora ( “abc do abc”) :-) e não é muito caso para brincadeiras, mas quem me conhece… não me pode/deve levar a mal.

O meu padrinho foi vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral, antiga ou popularmente chamado de trombose) e já se sabe, quando algo nos “toca”, qual “casa roubada, trancas à porta”, ou nem por isso, ficamos sempre a saber algo mais sobre o assunto, normalmente - a chamada “experiência”.

Como acho basto importante aquilo que vim a saber, entretanto, resolvi partilhá-lo.

O meu padrinho, que é também meu tio, a quem eu chamo “inho” desde pequeno e ainda hoje, é um homem cheio de sorte (tinha que ser compensado da “prenda” de afilhado que lhe calhou na rifa ;) ). Do alto dos seus 64 anos, sofreu no outro domingo de manhã sintomas que não preconizavam nada de bom; ao ir para puxar a persiana, perdeu a sensibilidade da parte do lado direito do seu corpo, embora estando sempre consciente, e disparou o alerta naquela casa. O meu primo pegou nele e levou-o imediatamente, junto com a minha madrinha (que para mim é a “inha”), para o Hospital de S.João e aqui começou umas das suas sortes. No HSJ, o tratamento que recebeu é denominado, algo como TPA.
Este tipo de tratamento é que foi a “sorte-grande”. Tem uns critérios muito específicos e pelo que me disseram só fazem, e muito pouco frequentemente, no HSJ e no “Santo António”, no Porto, e é probabilisticamente um óptimo garante do regresso à total normalidade - como aparenta ser o caso do meu padrinho, que teve alta na terça passada - yeay!

A primeira grande especificidade (até são duas) é que o episódio tem que ter sido presenciado por outra pessoa (que pode atestar da hora exacta em que aconteceu, etc.) e só podem ter passado no máximo cerca de 3 horas, até à intervenção a realizar.

Resumindo (está a ficar um relato muito pouco resumido), se a um ente querido vosso acontecesse o mesmo, o ideal seria: (cá vai o ABC)
A) Que tivesse sido presenciado;
B) Não chamar o 112 ou os bombeiros (se possível, claro), dado o “extra” de intermediários envolvidos e a possibilidade de não ser enviado para um Hospital que faça o TPA, mais o tempo (e protocolo) que demoraria a chegar a um sítio que o fizesse, gorando-se provavelmente a possibilidade de o realizar;
C) É essencial que a pessoa que o tenha presenciado, acompanhe, porque o seu depoimento é muito importante, bem como da família mais próxima para as autorizações necessárias.

A minha irmazinha caçula, deixou um comment no outro post com uns links que explicam tudo mais detalhadamente, para os mais interessados, que reitero abaixo:

http://neuroland.com/cvd/tpa_criteria.htm
http://www.emedicine.com/neuro/topic370.htm

2 Responses to “ABC do AVC”

  1. Teresa Says:

    És mesmo trengo!!
    Já te disse que é TPA, meaning Tissue Plasminogen Activator, não “TBA”.
    Não aprendes nada comigo!!

    Beijinhos

  2. daniel Says:

    OOoops. Já corrigi no post. My bad. Mas é o que dá falares “à porto” :-D e não explicares a sigla. Agora quase que até fico a perceber o que é que o TBA, digo, TPA faz ;-)
    Gracias.

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